Presidência da República
Subchefia para Assuntos Jurídicos.
DECRETO No
1.592, DE 10 DE AGOSTO DE 1995.
Altera dispositivos
do Decreto nº 89.056, de 24 de novembro de 1983, que regulamenta a
Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, que dispõe sobre segurança para
estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição
e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de
vigilância e de transporte de valores, e dá outras providências
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o
art. 84, IV, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1º Os arts. 1º, 9º, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 30, 31, 32, 36,
38, 40, 42, 44, 45, 48, 49, 51, 52, 53 e 54, do Decreto nº 89.056,
de 24 de novembro de 1983, passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1º É vedado o funcionamento de qualquer estabelecimento
financeiro onde haja guarda de valores ou movimento de numerário,
que não possua sistema de segurança com parecer favorável à sua aprovação,
elaborado pelo Ministério da Justiça, na forma deste Regulamento.
........................................................"
"Art. 9º O transporte de numerário em montante superior a 20.000
(vinte mil) Unidades Fiscais de Referência (UFIR), para suprimento
ou recolhimento do movimento diário dos estabelecimentos financeiros,
será efetuado em veículo especial da própria instituição ou de empresa
especializada.
........................................................."
"Art. 10. Nas regiões onde for comprovada a impossibilidade do
uso de veículo especial pela empresa especializada ou pelo próprio
estabelecimento financeiro, o Ministério da Justiça poderá autorizar
o transporte de numerário por via aérea, fluvial ou outros meios,
condicionado à presença de no mínimo, dois vigilantes."
"Art. 11. O transporte de numerário entre 7.000 (sete mil) e
20.000 (vinte mil) UFIR poderá ser efetuado em veículo comum, com
a presença de dois vigilantes."
"Art.12..............................................
II - pelo próprio estabelecimento financeiro, desde que organizado
e preparado para tal fim, com pessoal próprio, e cujo sistema de segurança
tenha parecer favorável à sua aprovação, emitido pelo Ministério da
Justiça.
...........................................................
§ 2º Nos estabelecimentos financeiro estaduais, o serviço de vigilância
ostensiva poderá ser desempenhado pelas Polícias Militares, a critérios
do Governo da respectiva Unidade da Federação.
.........................................................."
"Art. 13. O Ministério da Justiça, por intermédio do Departamento
de Polícia Federal, ou mediante convênio com as Secretarias de Segurança
Pública dos Estados, Territórios e do Distrito Federal, procederá
pelo menos a uma fiscalização anual no estabelecimento financeiro,
quanto ao cumprimento das disposições relativas ao sistema de segurança."
"Art. 14. O estabelecimento financeiro que infringir qualquer
das disposições da Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, e deste Regulamento,
ficará sujeito às seguintes penalidades, aplicáveis pelo Ministério
da Justiça, conforme a gravidade da infração e levando-se em conta
a reincidência e a condição econômico do infrator:
I - advertência;
II - multa, de 1.000 (mil) a 20.000 (vinte mil) UFIR;
III - interdição do estabelecimento.
Parágrafo único. O Ministério da Justiça disporá sobre o procedimento
para aplicação das penalidades previstas neste artigo, assegurado
ao infrator direito de defesa e possibilidade de recurso."
"Art. 15. Vigilante, para os efeitos deste Regulamento, é o empregado
contratado para a execução das atividades definidas nos incisos I
e II, e § 2º, do art. 30, e no art. 31, caput , deste Regulamento."
"Art.16...................................................
IV - ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado
em estabelecimento com funcionamento autorizado.
............................................................."
"Art. 30. São considerados como segurança privada as atividades
desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de:
I - proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras
e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, e à segurança
de pessoas físicas;
II - realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de
qualquer outro tipo de carga.
§ 1º As atividades de segurança privada desenvolvidas por empresas
especializadas em prestação de serviços, com a finalidade de proceder
à segurança de pessoas físicas e de garantir o transporte de valores
ou de qualquer outro tipo de carga, serão consideradas, para os efeitos
deste Regulamento, segurança pessoal privada e escolta armada, respectivamente.
§ 2º As empresas especializadas em prestação de serviços de segurança,
vigilância e transporte de valores, constituídas sob a forma de empresas
privadas, além das hipóteses previstas nos incisos I e II deste artigo,
poderão se prestar:
a) ao exercício das atividades de segurança privada a pessoas;
b) a estabelecimentos comerciais, indústrias, de prestação de serviços
e residências;
c) a entidades sem fins lucrativos;
d) a órgãos e empresas públicas.
§ 3º Os serviços de vigilância e de transporte de valores poderão
ser executados por uma mesma empresa.
§ 4º As empresas de que trata o § 2º deste artigo serão regidas pela
Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, por este Regulamento e pelas
normas da legislação civil, comercial, trabalhista, previdenciária
e penal.
§ 5º A propriedade e a administração das empresas especializadas que
vierem a se constituir são vedadas a estrangeiros.
§ 6º Os diretores e demais empregados das empresas especializadas
não poderão ter antecedentes criminais registrados.
§ 7º O capital integralizado das empresas especializadas não poderá
ser inferior a 100.000 (cem mil) UFIR."
"Art. 31. As empresas que tenham objeto econômico diverso da
vigilância ostensiva e do transporte de valores, que utilizem pessoal
de quadro funcional próprio para a execução dessas atividades, ficam
obrigadas ao cumprimento do disposto neste Regulamento e demais legislações
pertinentes.
§ 1º Os serviços de segurança a que se refere este artigo denominam-se
serviços orgânicos de segurança.
§ 2º As empresas autorizadas a exercer serviços orgânicos de segurança
não poderão comercializar os serviços de vigilância e transporte de
valores."
"Art. 32. Cabe ao Ministério da Justiça, por intermédio do Departamento
de Polícia Federal, autorizar, controlar e fiscalizar o funcionamento
das empresas especializadas, dos cursos de formação de vigilantes
e das empresas que exercem serviços orgânicos de segurança.
§ 1º O pedido de autorização para o funcionamento das empresas especializadas
será dirigido ao Departamento de Polícia Federal e será instruído
com:
a) requerimento assinado pelo titular da empresa;
b) cópia ou certidão dos atos constitutivos devidamente registrados
no registro de pessoas jurídicas;
c) comprovante de inscrição nos órgãos administrativos federais competentes;
d) modelo de uniforme especial de seus vigilantes;
e) cópia da Carteira de Identidade, CPF, Título de Eleitor e Certificado
de Reservista ou documento equivalente dos sócios-proprietários, diretores
e gerentes da empresa;
f) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes não
tenham antecedentes criminais registrados;
§ 2º Qualquer alteração referente ao estabelecido nas alíneas b e
d deste artigo dependerá de prévia autorização do Ministério da Justiça.
§ 3º Quando se tratar de pedido de autorização para o exercício da
atividade de segurança pessoal privada e escolta armada a empresa
deverá apresentar:
a) comprovante de funcionamento nas atividades de vigilância ou transporte
de valores, há pelo menos um ano;
b) prova de que a empresa e suas filiais estão em dia com as obrigações
fiscais, com as contribuições previdenciárias e com o Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS).
§ 4º O pedido de autorização para o funcionamento das empresas que
executam serviços orgânicos de segurança será dirigido ao Ministério
da Justiça e será instruído com:
a) comprovante de que a empresa possui instalações adequadas para
operacionalizar os serviços orgânicos de segurança;
b) documentos pessoais dos responsáveis pelo setor que executará o
serviço;
c) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa
que executa serviços orgânicos e de que os responsáveis pelo setor
de segurança não tenham condenação criminal registrada;
d) relação dos vigilantes;
e) modelo do uniforme especial dos vigilantes;
f) relação das armas e munições de propriedade e responsabilidade
da empresa, acompanhada de cópia do registro no órgão de segurança
pública ou declaração de que não as possui;
g) relação dos veículos especiais, no caso dos serviços próprios de
transporte de valores.
§ 5º A relação dos vigilantes deverá conter:
a) cópia dos documentos pessoais;
b) comprovante de conclusão, com aproveitamento, do curso de formação
de vigilantes e reciclagem, quando for o caso;
c) comprovante de registro na Delegacia Regional do Trabalho;
d) cópia da Carteira de Trabalho e Previdência Social, na parte referente
à identificação e vínculo empregatício;
e) cópia de apólice de seguro que identifique o número dos segurados.
§ 6º Consideram-se possuidoras de instalações adequadas ao exercício
da segurança orgânica as empresas que dispuserem de:
a) local seguro e adequado à guarda de armas e munições;
b) setor operacional dotado de sistema de comunicação com os vigilantes
empenhados em serviço;
c) sistema de alarme ou outro meio de segurança eletrônica conectado
com a unidade local da Polícia Militar, Civil ou empresa de segurança
privada.
§ 7º A revisão da autorização de funcionamento das empresas de segurança
privada e das empresas que executam serviços orgânicos de segurança
deverá ser requerida, anualmente, a contar da publicação da autorização
no Diário Oficial da União, mediante apresentação de:
a) comprovante de quitação das penas pecuniárias que tenham sido aplicadas
à empresa por transgressões às normas que regulamentam a atividade;
b) Certidão Negativa quanto à Dívida Ativa da União, Estado e Município;
c) comprovante de recolhimento previdenciário e do FGTS;
d) Certificado de Segurança atualizado;
e) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa
de segurança privada não tenham condenação criminal registrada;
f) prova de que os sócios-proprietários, diretores e gerentes da empresa
que executa serviços orgânicos e de que os responsáveis pelo seu setor
de segurança não tenham condenação criminal registrada.
§ 8º Para o desempenho das atividades de segurança pessoal privada
e escolta armada, o vigilante, além do curso de formação, deverá:
a) possuir experiência mínima, comprovada, de um ano na atividade
de vigilância;
b) ter comportamento social e funcional irrepreensível;
c) ter sido selecionado, observando-se a natureza especial do serviço;
d) portar credencial funcional, fornecida pela empresa, no moldes
fixados pelo Ministério da Justiça;
e) freqüentar os cursos de reciclagem, com aproveitamento, a cada
período de dois anos, a contar do curso de extensão.
§ 9º Para o exercício das atividades de segurança pessoal privada
e de escolta armada, o vigilante deverá ter concluído, com aproveitamento,
curso de extensão correspondente em empresas de curso devidamente
autorizada a ministrá-lo.
§ 10. O Ministério da Justiça fixará o currículo para os cursos de
extensão em escolta armada e segurança pessoal privada."
"Art. 36. Não será autorizado o funcionamento de empresa especializada
em transporte de valores e de empresa que executa serviços orgânicos
de transporte de valores sem a apresentação dos certificados de propriedade
e dos laudos de vistoria dos veículos especiais."
"Art. 38. Para que as empresas especializadas e as que executem
serviços orgânicos de segurança operem nos Estados e Distrito Federal,
além de autorizadas a funcionar na forma Deste Regulamento, deverão
promover comunicação à Secretaria de Segurança Pública da respectiva
Unidade da Federação.
§.1º.....................................................
VIII - relação dos veículos especiais, no caso de empresa especializada
em transporte de valores e de empresa que executa serviços orgânicos
de transporte de valores;
..........................................................
§ 2º Os incisos II e IX do parágrafo anterior não se aplicam as empresas
que executam serviços orgânicos de segurança.
§ 3º Qualquer alteração dos dados a que se refere o parágrafo anterior
será comunicada à respectiva Secretaria de Segurança Pública".
"Art. 4º. Verificada a existência de infração a dispositivo da
Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, e deste Regulamento, as empresas
especializadas, as empresas que executam serviços orgânicos de segurança
e os cursos de formação de vigilantes ficam sujeitos às seguintes
penalidades, aplicáveis pelo Ministério da Justiça, conforme a gravidade
da infração, levando-se em conta a reincidência e a condição econômica
do infrator:
I - advertência;
II - multa de 500 (quinhentos) até 5.000 (cinco mil) UFIR;
III - proibição temporária de funcionamento;
IV - cancelamento do registro para funcionar.
Parágrafo único. O Ministério da Justiça disporá sobre o procedimento
para a aplicação das penalidades previstas neste artigo, assegurado
ao infrator direito de defesa e possibilidade de recursos."
"Art. 42. As armas e as munições destinadas ao uso de treinamento
dos vigilantes serão de propriedade e responsabilidade:
I - das empresas especializadas;
II - dos estabelecimentos financeiros, quando dispuserem de serviço
organizado de vigilância, ou quando contratarem empresa especializada;
III - da empresa executante dos serviços orgânicos de segurança."
"Art. 44. O Ministério da Justiça fixará a natureza e a quantidade
de armas de propriedade e responsabilidade do estabelecimento financeiro,
do curso de formação de vigilantes, da empresa especializada e da
executante dos serviços orgânicos de segurança."
"Art. 45. A aquisição e a aposse de armas e munições por estabelecimento
financeiro, empresa especializada, empresa executante de serviços
orgânicos de segurança e cursos de formação de vigilantes dependerão
de autorização do Ministério da Justiça."
"Art. 48. Incorrerão nas penas previstas no art. 40 os cursos
de formação de vigilantes, as empresas especializadas, as empresas
que executam serviços orgânicos de segurança e os estabelecimentos
financeiros responsáveis pelo extravio de armas e munições de sua
propriedade e responsabilidade."
"Art. 49. O armamento e as munições de que tratam os arts. 42
e 43 serão recolhidos ao Ministério da Justiça, para custódia, no
caso de paralisação ou extinção da empresa especializada, da empresa
executante dos serviços orgânicos de segurança do curso de formação
de vigilantes ou da instituição financeira."
"Art. 51. O Ministério da Justiça e o Ministério do Trabalho
baixarão normas dispondo sobre a competência que lhes é atribuída
pela Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983."
"Art. 52. A competência prevista nos arts. 27, 28, 32, 39, 40,
caput , 41, 44, 45 e 47 poderá ser objeto de convênio com as Secretarias
de Segurança Pública dos Estados e Distrito Federal."
"Art. 53. As multas e taxas decorrentes da atividade de fiscalização
das empresas de segurança privada constituirão recursos diretamente
arrecadados na Fonte 150 a serrem consignados no Orçamento do Departamento
de Polícia Federal, no Programa de Trabalho 06.030.0174.2081.0001
- Operações do Policiamento Federal."
"Art. 54. O Ministério da Justiça, pelo seu órgão próprio, encaminhará,
no prazo de 30 dias, ao competente Serviço de Fiscalização de Produtos
Controlados Regional - SFPC, do Ministério do Exército, com relação
às empresas especializadas e empresas executantes dos serviços orgânicos
de segurança em funcionamento e às que vierem a ser constituídas,
os seguintes dados:
.................................................. .........
VII - paralisação ou extinção de empresas especializadas e de serviços
orgânicos de segurança.
.................................................. ....."
Art. 2º As empresas que executam serviços orgânicos de segurança,
já em funcionamento, deverão proceder à adaptação de suas atividades
aos preceitos deste Regulamento, no prazo de 120 dias, a contar da
data de sua publicação.
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º Revoga-se o parágrafo único do art. 4º do Decreto nº 89.056,
de 24 de novembro de 1983.
Brasília, 10 de agosto
de 1995; 174º da Independência e 107º da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Nelson A. Jobim